Saúde mental no trabalho: sinais que o RH deve observar
Nem sempre uma demanda emocional chega ao setor de Recursos Humanos (RH) por meio de um pedido explícito de ajuda. Por isso, acompanhar a saúde mental no trabalho também envolve perceber mudanças na rotina das equipes, observar indicadores e criar canais seguros para que as pessoas possam falar quando algo não vai bem.
Esse olhar ganhou ainda mais relevância diante do crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental. Dados de 2025 do Ministério da Previdência Social apontam a concessão de 546.254 benefícios por transtornos mentais e comportamentais, crescimento de 15,66% em relação a 2024.
Para o RH, porém, o caminho não passa por tentar diagnosticar pessoas. O papel da área é identificar padrões, compreender o contexto de trabalho e criar respostas organizacionais antes que o problema apareça apenas em forma de afastamento ou desligamento.
Como identificar demandas de saúde mental no time?
Alguns sinais aparecem primeiro na operação. Quando analisados de forma isolada, podem ter diversas explicações. Conforme começam a se repetir em uma equipe, área ou período específico, merecem investigação. Entre eles estão:
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aumento do absenteísmo e de afastamentos;
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crescimento do turnover em determinada área;
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queda recorrente de desempenho ou qualidade das entregas;
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conflitos mais frequentes entre colegas e lideranças;
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aumento de atrasos, faltas e pedidos de mudança;
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piora nos resultados de pesquisas de clima;
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dificuldade de retenção de profissionais;
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relatos recorrentes de sobrecarga, pressão ou falta de apoio.
Um conteúdo publicado pela Gupy também relaciona a falta de cuidado com problemas como absenteísmo, queda de desempenho e aumento da rotatividade.
No entanto, o ponto mais importante está na recorrência. Afinal, um pedido de desligamento pode ser individual. Uma sequência de desligamentos no mesmo setor, acompanhada de piora do clima e aumento das ausências, já conta uma história diferente.
Mudanças de comportamento também devem entrar nessa análise?
Sim, principalmente quando existe uma mudança perceptível em relação ao comportamento habitual da pessoa ou da equipe.
Por exemplo, irritabilidade frequente, isolamento, dificuldade de concentração, redução da participação, conflitos incomuns ou queda repentina de engajamento podem indicar que algo precisa ser compreendido com mais cuidado.
Além disso, o contexto precisa entrar nessa leitura. Um conteúdo do Great Place to Work sobre saúde mental no trabalho destaca fatores como excesso de carga, falta de autonomia, clima hostil e pouco suporte da liderança entre condições capazes de aumentar o desgaste emocional.
Saiba mais: Impactos Da Saúde Mental No Trabalho
O que os indicadores revelam sobre a saúde mental no ambiente de trabalho?
Esse acompanhamento pode cruzar dados de pessoas, saúde e segurança do trabalho, clima e gestão, sempre respeitando confidencialidade e proteção de informações pessoais. Assim, torna-se possível identificar, por exemplo, se uma área com alta rotatividade também apresenta sobrecarga, conflitos recorrentes e aumento das ausências.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que ambientes com excesso de carga, baixo controle sobre o trabalho, insegurança e relações problemáticas podem representar riscos à saúde mental. Globalmente, depressão e ansiedade são associadas à perda estimada de 12 bilhões de dias de trabalho por ano.
Quando a avaliação psicossocial deve entrar no processo?
Quando a empresa precisa transformar sinais dispersos em uma análise estruturada, a avaliação dos fatores de riscos psicossociais oferece um caminho mais consistente.
A atualização da NR-1 incluiu expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. O Ministério do Trabalho e Emprego orienta que esses fatores sejam identificados, avaliados e tratados dentro da gestão de saúde e segurança do trabalho.
A avaliação psicossocial permite aprofundar aspectos que indicadores administrativos sozinhos não explicam. Sobrecarga, falta de suporte, dificuldades nas relações, condições de trabalho e outros fatores podem ser analisados com instrumentos e metodologia adequados.
Entenda melhor: Avaliação de riscos psicossociais: o que muda com a atualização da NR-1 e por que importa a adequação?
Como elaborar uma estratégia de cuidado com a saúde mental no trabalho?
Dependendo do diagnóstico, a resposta pode envolver revisão de processos, preparação de lideranças, ações de prevenção, programas de saúde emocional, acompanhamento de indicadores ou oferta de suporte psicológico aos colaboradores.
A Vitalis apoia empresas na identificação e gestão dos riscos psicossociais, integrando diagnóstico, prevenção e acompanhamento para construir ambientes de trabalho mais saudáveis e seguros.
Quer entender quais fatores podem estar impactando a saúde mental da sua equipe? Solicite um diagnóstico com a Vitalis e transforme os sinais do dia a dia em decisões mais bem direcionadas. Fale conosco!
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Psicóloga e CEO da Vitalis Saúde Mental, com experiência em saúde mental no trabalho, avaliação psicológica e atendimento psicossocial de colaboradores. Possui MBA em Gestão Estratégica de Promoção da Saúde e Bem-Estar e especialização em Saúde Mental no Trabalho. Atua na integração entre saúde mental, prevenção, bem-estar dos trabalhadores e gestão organizacional, contribuindo para o desenvolvimento de ambientes corporativos mais saudáveis e sustentáveis.