Saiba por que os acidentes acontecem e como preveni-los
27 Outubro 2025
Então a gente vai começar pensando sobre as causas mais comuns dos acidentes de trabalho.
Acidentes acontecem por falha humana, por excesso de confiança, por falta de manutenção, por execução inadequada, ou, por exemplo, por decorrência de problemas cognitivos e emocionais.
Diversos aspectos psicológicos podem colaborar para o aumento da ocorrência de acidentes de trabalho:
É preciso estar atento a eles, uma vez que podemos seguir na direção de evitá-los. São fatores clássicos:
Cansaço, que pode ser:
Fadiga mental: (exposição constante e duradoura a estímulos repetitivos. Por isso que é bom diversificar os trabalhos, o quanto possível, fazer pausas, além de não se exceder no tempo de exposição.
Fadiga física: (decorrente de extremo esforço. Aqui vemos a importância de reconhecer os limites do próprio corpo e da sua mente).
Fadiga mental e física juntas podem ser uma bomba, pronta para explodir ou desenvolver diversos malefícios à sua saúde.
Outros riscos comuns e associados:
Uso de álcool, outras drogas ou determinadas medicações também exercem grande influência em todo sistema de sensopercepção do indivíduo.
Problemas de saúde que podem afetar seu desempenho e sua atenção. Por isso é tão importante manter os cuidados com a saúde em dia!
Problemas pessoais ou conflitos, geram preocupações e que podem, infelizmente, tirar a pessoa do foco na realidade e no memento presente.
Portanto, atenção:
Evite manter qualquer padrão de comportamento que propicie ou estimule a DESATENÇÃO.
Nunca é excessivo lembrar, que a maior parte dos acidentes está relacionada a fatores humanos. Além das descritas acima, as falhas também se dão por determinadas atitudes, dentre elas:
Negligência: Desleixo ou falta de cuidado proposital, relacionado a determinada situação. Você sabe que precisa agir de determinada forma, mas não cumpre o que seria o certo. Exemplo 1: Não usar EPI. Não existir o “é rapinho”, “não vai acontecer nada” sempre é preciso utilizar os EPI´s e EPC´s
Exemplo 2: Saber como executar um trabalho, ou conduzir uma máquina, mas realizar de outra forma. Sempre haverá uma racionalização para justificar: Era para economizar tempo, ... este protocolo não faz sentido, ou, foi só desta vez... Negligência é negligência e pode causar graves acidentes.
Imprudência: Realizar alguma atividade sem pensar na ação que está sendo executada, fazer de forma impulsiva, sem cuidados ou precauções necessárias. Mesmo tendo aptidão, é imprescindível saber reconhecer quando as condições de segurança não são suficientes e aprender a dizer não. Impulsividade não combina com segurança. Saia do automático, esteja no presente. Evite, a todo modo qualquer comportamento ou ato inseguro.
Por mais simples que seja o trabalho, ele precisa estar pautado nestas observações. Trabalhar desta forma demonstra a sua capacidade como um todo. E saiba, não existe nada simples, todas as atividades fazem parte de uma mesma engrenagem. E os resultados positivos dependem das nossas boas ações. Viu como o seu trabalho é importante?
Imperícia: Falta de determinada habilidade para executar uma atividade específica.
Cada empregado deve ter ciência das suas competências, suas funções, seu escopo de trabalho e da sua responsabilidade sobre si mesmo. É importante ter em mente e sempre delimitar seu espaço de atuação, sabendo até onde pode ir em cada situação. Não exerça nenhuma atividade sem habilitação específica. Faça se for de sua competência e se sentir seguro para fazê-lo.
A pessoa pode, ela mesma, se conduzir a uma imperícia, assim faz quando se autoriza a exercer alguma atividade à qual não esteja devidamente habilitado.
Ex: Se achar capaz de conduzir uma máquina sem ter habilitação específica. Ou se no momento não se sentir em condições para atuar, seja por questões de saúde física ou emocional.
A imperícia também pode acontecer, por influência de um terceiro. Pode ser por um colega de trabalho, um chefe que pode estar fazendo uma pressão por um trabalho... A pessoa pode cometer imperícia para impressionar alguém, ou por medo de ser demitido, ser chamado a atenção ou ter medo de ser tachado como “corpo mole”
Por isso, é fundamental que você tenha total consciência das suas funções, pois é natural que sejamos responsabilizados pelos nossos atos. Então, é cada um fazer o que lhe é seguro num dado momento. Caso não esteja preparado ou não esteja apto para determinada tarefa, não faça. Lembre-se, desta forma você está cumprindo com suas obrigações da forma mais correta. Seja rígido com normas de segurança, aqui não há o que negociar.
Posso informar que não me sinto apto ou mesmo recusar executar em determinado momento alguma tarefa?
Não só pode, como deve! O que não pode é executar após avaliar qualquer possível risco! Sempre reportar ao superior, e compartilhar sua avaliação.
O direito de recusa é assegurado por normas regulamentadoras e legislação, como a Convenção nº 155 da OIT e a Portaria nº 342/2024, e protege o empregado de punições caso a recusa seja fundamentada. Este direito garante ao trabalhador a prerrogativa de interromper suas atividades quando identificar um risco grave e iminente à sua vida ou saúde
Alguns exemplos de quando este direito deve ser exercido:
- Na falta de equipamentos de proteção individual ou coletiva adequados e viáveis.
- Na presença de máquinas defeituosas ou sem manutenção adequada.
- Em exposição a riscos, como: ambientes com fumaça tóxica, vazamentos, riscos de explosão, exposição a agentes químicos, biológicos ou físicos sem proteção.
- Na execução de atividades perigosas às quais exigem treinamento que não foi devidamente ministrado.
Além e de qualquer forma, o trabalhador sempre deve comunicar quando não estiver se sentindo seguro ou apto para o exercício de qualquer função, inclusive, devido a aspectos emocionais, mentais ou orgânicos.
Como faço para proceder ao direito de recusa?
Aqui é ponto crucial seguir as determinações para garantir a legalidade da ação e para documentação da situação:
- Comunique ao superior imediato a condição de risco.
- Documente o risco: Você pode utilizar fotos, vídeos ou mesmo fazer um registro, por escrito, escrito da situação de risco.
- Certifique-se sobre documentar evidência e comunicação ao superior imediato: Faça um registro documental, mesmo escrito a mão, explicando o ocorrido, também solicite a assinatura do superior como prova da informação.
- Deixe claro o retorno: Informe que você retornará à atividade assim que a situação de risco for regularizada. Ou seja, evidencia o motivo de recusa em cumprimento às normas de segurança.
A importância do direito de recusa?
- Proteção da vida e saúde: Garante que o trabalhador não seja forçado a escolher entre o trabalho e sua integridade física.
- Prevenção de acidentes: Funciona como uma ferramenta de proteção imediata, exigindo que o empregador garanta um ambiente seguro antes do retorno às atividades.
- Responsabilidade do empregador: Impõe ao empregador a obrigação de oferecer um ambiente de trabalho seguro e manter medidas de prevenção eficazes.
Checklist para um trabalho seguro:
COMO PODEMOS NOS PREPARAR PARA ISSO?
Para nos prepararmos para qualquer trabalho, é importante saber:
- Reconhecer seus limites e suas potencialidades.
É fundamental o reconhecimento que a própria pessoa tem de si mesmo (quem é, sua personalidade, seu trabalho, suas funções, pontos positivos e negativos...). É preciso saber o que estamos fazendo aqui. Também é importante se ouvir e se questionar, pois muitas vezes ocorrem distorções em nosso pensamento. Quem já fez terapia pode saber como é... é de grande valia a ajuda psicológica nestes casos.
- Construir recursos para desenvolver satisfatória sensação de domínio do ambiente.
Mas como? Se instruindo cada vez mais, mantendo interesses, se capacitando, seguindo as regras e normas de segurança.
Mas por que é preciso desenvolver certo domínio do ambiente?
Sabemos que a vida por si já é imprevisível e que não existe risco zero. Se a gente se respaldar em ações que garantam certo controle, dificilmente nos sentiremos muito indefesos. Precisamos sentir que temos algum controle.
Se sentir indefeso, ou à mercê de circunstâncias e pessoas, é o que se deve evitar. Nesta posição, ficamos vitimizados e paralisados. Indefesos não podemos fazer o que mais pode nos proteger de eventuais acidentes.
Simplesmente porque a gente vê e responde de acordo com a nossa percepção! O mundo é para cada pessoa é aquilo que ela própria percebe. Portanto, as outras pessoas não percebem a realidade da mesma forma que nós próprios vemos. A realidade é interpretada por cada um a partir dos seus próprios conhecimentos, valores e sentimentos.
Algumas distorções podem afetar nosso potencial criativo, tais quais:
- Se guiar por estereótipos, como por exemplo se fixar num padrão, ou em ideias preconcebidas, generalizações ou se guiar pelo senso comum, não se aprofundando em maior conhecimento.
- Conformismo: Aceitar por muito tempo algo incômodo ou que não goste, traz uma atitude desmotivada, que só gera queixas e reclamações, uma vez q a passividade impede qualquer ação ou questionamento. Seria um “estar na guerra e não partir pra luta”.
- Submissão: Existe hierarquia e subordinação? Sim, mas na forma de submissão a pessoa acha que não há nada que possa fazer, se sente a obrigar até com o que não concorde. Esta condição pode gerar adoecimento e engessa qualquer possibilidade criativa, pois nesta posição é praticamente impossível pensar por si.
Precisamos ter espaço para desenvolver nossa espontaneidade e nossa autonomia!
Vamos fazer uma rápida análise de como estamos neste processo?
Em primeiro lugar devemos observar a natureza do trabalho: qual o seu trabalho, em que consiste?
Depois, analise o grau de risco:
De 0 a 10, qual o grau de risco do seu trabalho?
De 0 a 10, o quanto dos seus comportamentos e sentimentos influenciam nestes riscos?
De 0 a 10, os riscos aos quais se expõe estão totalmente relacionados ao escopo do seu trabalho?
E depois do que conversamos? Você acha que algumas atitudes, pensamentos e escolhas que faz contribuem para que riscos apareçam?